Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Vivo ...

As ruas estão caóticas. Obras inacabadas, problemas não resolvidos, pessoas criando mais problemas, pessoas não resolvendo nada. Trânsito desordenado, ruas porcamente asfaltadas, pessoas emporcalhando as ruas com seus lixos, lixos que valem mais que algumas pessoas.
Nenhuma metrópole foge ao estereótipo "Selvagem". O mendigo deitado no banco da praça tem o mesmo peso de seu leito. "Não existe, mesmo, motivo para vivermos ou morrermos. Somos insignificantes nesse vasto universo que nos cerca, somos apenas parte de poeira cósmica", pensava o jovem, que, pela primeira vez em muito tempo, vestindo sua bermuda e camisa regata, andava em direçao à clínica onde fizera seu exame. "Não há de ser nada, disseram que estava tudo bem."
O atendimento na recepção, numa segunda-feira de manhã, que apesar da sala de espera lotada, flui com certa rapidez, não deixando tempo para que ele sentasse e respirasse. Cumprimenta a secretária com um sorriso amarelo-nervoso, diz seu nome, pega o exame, agradece e sai. Não teve coragem de ver o resultado dentro da clínica. Havia muita gente ali. Preferiu evitar a exposição às lágrimas caso estas resolvessem rolar-lhes pela face. Havia muita gente ali.
Saiu, sentou-se numa base de concreto e abriu o envelope.
"Droga..." reclamava mentalmente enquanto cerrava os olhos buscando respostas internas "...Eles disseram que estava tudo bem".
Agora esfregava as mãos no rosto, como se tentasse, de certa forma, mudar sua própria aparência. Sabia que era em vão, sabia que não mudaria nada. Sabia qual seria seu futuro.
"Eu preciso ir embora, não posso ser um fardo para ninguém" diz para seus próprios botôes."Não posso deixar que sofram comigo e por minha causa. É minha doença e ela já passou por problemas demais. Ela sabe que tratamento de câncer não é fácil, percebo o sofrimento dela todos os finais de semana. Meus pais não podem saber. Não agora... minha mãe está em depressão, ela não vai aguentar e ninguém lá em casa é capaz de segurá-la. Ninguém."
O som das ruas se abafa em meio a seus pensamentos, onde as pessoas andam sem rosto.
"É isso... é uma luta que irei lutar sozinho, pois sei que irei perder."
Fecha o envelope e levanta-se novamente. Mas não seria agora a última vez a levantar-se. Ainda precisava lutar.

 

Luta ...


publicado por omeupequenoespaco às 01:36
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